Sérgio Hydalgo

Nasceu na Suécia, mas parece ter uma ligação umbilical à cidade de Lisboa. Há sete anos na dianteira da programação musical desenvolvida pela Galeria Zé dos Bois, Sérgio Hydalgo começou por entregar-se à música na rádio com o saudoso programa Má Fama. O sucesso imprevisto do programa semanal fê-lo desistir de um trabalho comum para se dedicar totalmente à divulgação e programação de música. Desde então, arrisco dizer, Lisboa nunca mais foi a mesma. Com a simplicidade e naturalidade de quem faz o que faz guiado apenas por um ideal romântico, arriscou trazer artistas que nunca antes tinham pisado o país e conseguiu atrair músicos colossais para uma sala pequena na Rua da Barroca. Sem saber, Sérgio Hydalgo já conseguiu o que sempre quis: inscrever o Aquário da ZDB na mitologia de muita e boa gente.

Tu estudaste Geografia e Urbanismo e tinhas até um emprego nessa área. Como é que aconteceu a ligação à música?
Desde muito pequeno que uma das minhas actividades favoritas era estar a desenhar e a ouvir rádio, canção atrás de canção, ainda na Suécia. Lembro-me de fazer compilações, de brincar a fazer música com o aquecedor do quarto com os meus amigos ou de construir Flying V nas aulas de Carpintaria. E tenho uma tia que foi uma influência muito forte na minha formação, contando-me muitas histórias incríveis que me marcaram profundamente. Contou-me como foi quando viu Pink Floyd em 1969 em Londres com Nico e o John Cale na primeira parte, falou-me de como foi ver o último concerto do Jimi Hendrix na ilha de Wight. Sempre esteve a par da música que se fazia e, em 1991, foi ela que me levou à Valentim de Carvalho e me passou um disco de Nirvana para as mãos e disse, “Isto é muito bom”. Havia um diálogo constante com ela sobre música. Se percebia que eu gostava de Sonic Youth, então mostrava-me as bandas do Steve Albini. Foi a primeira pessoa que me introduziu à música não-Ocidental e que me deu as primeiras gravações do Ali Farka Touré e do Toumani Djabaté. Fui-me deixando influenciar por aqueles mitos e começando a sentir que também queria pertencer a algo assim. À medida que fui crescendo, tornei-me um leitor minucioso de imprensa sobre música, fazia listas de todas as bandas de riot grrl que queria ouvir, elaborava alinhamentos de festivais imaginários que ainda guardo.  Mas isto era um comportamento muito solitário. Quis sempre aprender um instrumento e só o fiz muito tarde, no final do liceu. A mesma coisa com uma actividade profissional ligada à música: só muito tarde considerei a hipótese.

Mas querias ser músico? Sentias que era esse teu caminho? Vivias naquela dicotomia em que, mesmo que não conseguisses ser músico, querias fazer parte deste mundo?
Não tinha a vocação para escrever letras, apenas interesse pela composição, mas sabia que queria fazer parte desse universo. Tinha o hábito de ir sozinho ver concertos e de ler sobre música. Sinto que a geração Nirvana foi determinante para mim e imprimiu-se no meu ADN. Aquela filosofia do DIY, aquela ética e aquela preocupação em manter as perspectivas abertas. Era uma procura incessante por uma honestidade brutal, quase moral, com os músicos e com o público para quem tocavam. Músicos que viam outros músicos tocar, que editavam caseiramente, que se preocupavam em manter os bilhetes acessíveis para que o público pudesse usufruir dos concertos, que partilhavam uma série de princípios que o hardcore também tinha, mas sem aquela parte restritiva do straight edge.

Alimentavas-te desse ideal romântico?
Sim, sem dúvida. Achava que era um miúdo especial, com 14 ou 15 anos, que ia para a escola de cabelo comprido e um ar torturado.

Sentias que não existia esse contexto em Lisboa?
Sentia, muito devido ao facto de não viver em Lisboa, mas sim nos arredores. Demorei anos a perceber que existiam centenas de pessoas como eu. Para mim, não existia esse acesso à cultura que quem vivia no centro da cidade tinha. Sentia-me sôfrego por descobrir mais e alimentava-me dos filmes, dos discos e dos jornais que lia. Não apanhava nada em primeira mão, talvez por isso romantizava muito e tinha um forte desejo de fazer parte de uma comunidade.

Mas chegaste a ter uma banda. Como é que isso aconteceu?
Foi uma coisa muito casual. Fui encontrando amigos com gostos comuns que sentiam a mesma vontade de começar uma banda. Lembro-me que gravitávamos muito à volta dos Radiohead, do Aphex Twin e dos Godspeed You! Black Emperor. Cada um tinha uma sensibilidade distinta, mas havia um denominador mínimo comum. Começámos a tocar, mas éramos tão perfeccionistas que nunca saímos da sala de ensaios. Claro que isto era uma época pré-Myspace, em que só se disseminava música através de CD-R.

Tocavam ao vivo?
Algumas vezes. Recordo-me de partilharmos palco com os Bypass e os In Her Space.  Aliás, um dos membros da banda foi tocar para os Bypass. Entretanto a faculdade chegou ao fim, alguns membros mudaram de cidade, e, de uma forma mais ou menos espontânea, fomos abandonando a banda. 

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Imagino que nessa altura, na vertigem de finalizar a faculdade, te tenhas começado a consciencializar de que talvez tivesses de optar por outro tipo de carreira, abandonando o romantismo da música. Apesar disso, houve qualquer coisa que permaneceu?
Sim, continuei a ouvir e a ler obsessivamente sobre música. Nessa altura, por volta de 2003-2005, houve uma série de factores, como os avanços tecnológicos (o surgimento do mp3, a troca rápida de informação e o acesso a música produzida noutros sítios anteriormente quase inacessíveis) e a cobertura que a imprensa fez dessa cena, que me levaram a voltar a apaixonar por uma certa música. Recordo-me de ir frequentemente à ZDB, de estar a par do trabalho das netlabels que proliferavam e de seguir uma série de bandas, quase paradigmáticas, que assumiram uma grande importância para mim.

Sentiste que essas inovações te influenciaram a começar algo de raiz?
O que senti foi que os Animal Collective, juntamente com todas aquelas bandas que viviam num universo adjacente e que estavam a ganhar exposição nos blogues da especialidade, em revistas como a Wire e em pequenas estruturas, como era o caso da ZDB, comprovaram-me, de uma forma muito prosaica, que a minha curiosidade era impossível de satisfazer. Queria descobrir mais e mais. E apaixonei-me completamente por essas bandas e por essa música, o que fez ressurgir em mim a vontade de fazer parte dessa comunidade que existia internacionalmente, mas com a qual Lisboa parecia estar em sintonia. Foi neste contexto que surgiu uma oportunidade muito casual de fazer um programa de rádio.

Exactamente como é que aparece essa hipótese de fazer o Má Fama? Se bem me lembro, na altura, a tua actividade profissional em nada tinha que ver com música.
Nesse período, trabalhava em Urbanismo na Câmara Municipal de Oeiras e encontrei um anúncio online a pedir maquetas para um programa de rádio universitário. Encarei aquilo como um desafio sério, repetindo para mim mesmo, “É agora, não há ninguém na rádio deste país a pegar na música que está a ser feita”.

Música como a que os Animal Collective faziam?
Podia dizer-se que os Animal Collective representavam uma comunidade, mas a lista era infindável. E, mesmo no país, havia música nova a ser produzida a todo o momento, música que eu próprio estava a descobrir em tempo real, mas também música mais antiga, que eu considerava ter sido pouco representada na imprensa.

O advento da Internet foi determinante nesta evolução?
Sem dúvida. Lembro-me que nem sequer tinha Internet em casa e procurava espaços com wi-fi para passar uma hora a absorver informação dalguns desses blogues, que surgiram todos nesse período e que entretanto se tornaram referências. Havia um boom e, em cada visita, descobria-se uma nova banda completamente desconhecida até então.

Nessa altura, existia também o Fórum Sons, frequentado por jornalistas, músicos, promotores e melómanos que depois se dedicaram profissionalmente à música. Também fazias parte dessa comunidade? Sentias que essa dinâmica influenciava o teu processo de descoberta?
Sim, também fazia parte e beneficiava muito dessa troca rápida de informação sobre música. Não deixa de ser interessante concluir que ainda hoje são essas mesmas pessoas que discutem música com frequência em espaços como o Facebook. Muitas das pessoas que trabalham actualmente no meio ou que mantém ainda alguma militância em relação à música vêm desse universo.

É certo que o desenvolvimento da Internet tornou possível que qualquer pessoa pudesse criar e desenvolver projectos sem precisar de intermediários, mas consideras que o contacto com essas pessoas no Fórum Sons também te influenciou a começar um programa de rádio e a tentar fazer alguma diferença?
Eu sentia mesmo que iria fazer algo que teria, de certo modo, importância. Porque sabia que havia muita música boa a ser feita e que estava completamente por explorar. Existia o Norberto Lobo, os Lobster, todos esses nomes que surgiram nessa altura, e aos quais ninguém estava a prestar devida atenção. A própria rádio tinha pouca abertura a artistas como o Panda Bear ou até mesmo o Devendra Banhart.
Nessa mesma altura, fui fazer um estágio para Bruxelas e uma série de circunstâncias pessoais na minha vida levaram-me a focar-me cada vez mais no programa de rádio. Como estava numa cidade com algumas semelhanças com Lisboa – uma cidade pequena, relativamente periférica, mas que mantinha uma certa efervescência cultural e que mostrava uma certa proximidade com o underground –, senti que podia documentar também o que estava a acontecer ali. Fiz algumas das entrevistas lá e percebi, finalmente, que era fácil. Bastava abordar um músico no final do concerto, explicar-lhe que tinha um programa de rádio em Portugal e surgia uma conversa, aberta, sem mediações. Era um processo muito gratificante, porque sentia um feedback instantâneo de quem me ouvia.

Sentiste nessa altura que o público que te ouvia cresceu?
Penso que o boom aconteceu pouco depois, quando fiz algumas entrevistas com maior exposição.

Como a do Panda Bear?
Sim, como a do Panda Bear em minha casa a tocar em estreia mundial o Person Pitch e alguns inéditos. Ou a primeira entrevista dos Animal Collective pré-Strawberry Jam; ou o Kyp Malone, dos TV On The Radio, que estava meio perdido em trânsito em Lisboa; ou a Grouper; ou a Julianna Barwick.

Nessa altura, já sentias que o programa de rádio não te enchia as medidas? Porque ainda antes da ZDB, tu já tinhas organizado concertos.
Na verdade, organizei apenas um concerto. Foi no aniversário do Má Fama, em parceria com a Merzbau, num formato em que a editora produzia e eu escolhia os nomes. A noite correu muito bem e, como eu estava bastante insatisfeito com o meu trabalho na Câmara Municipal de Oeiras, servi-me desse incentivo para me concentrar ainda mais no programa de rádio. As coisas tornaram-se muito intensas e comecei a receber discos todos os dias de várias partes do mundo.

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Sim, eu própria lembro-me de ouvir o Má Fama e perguntar-me o que te teria levado a fazer, por exemplo, um programa dedicado à música de Melbourne. A progressão do Má Fama foi impressionante, tu estavas a focar-te em músicos que, à época, ninguém imaginaria que pudessem atingir o mainstream.
É verdade, mas por algum motivo eu sentia que nomes como os Animal Collective e o Panda Bear teriam uma importância determinante na primeira década de 2000. Por volta dessa altura, comecei a sentir que queria deixar o meu trabalho e focar-me a tempo inteiro no programa. Uma conclusão que me levou a entrar em contacto com o Henrique Amaro, autor de Portugália na Antena 3, e a propor uma rubrica do meu programa integrada no programa dele. Fiz 9 sessões, com músicos como Lobster, Tiago Sousa, Kotalume, Loosers, Walter Benjamin, Rita Braga, Norberto Lobo, Aquaparque, e parei abruptamente quando surgiu o convite para a ZDB. Ainda gravei várias sessões – com o B Fachada, com os Dirty Projectors, com a Lydia Lunch, entre outros –, mas não me sentia satisfeito com as entrevistas e acabei por não as editar.

Por que motivo não te sentias satisfeito com as entrevistas?
Porque queria mesmo que as entrevistas fossem feitas num ambiente de intimidade. Para mim, não fazia sentido fazer simplesmente mais uma entrevista. Gostava de passar um dia com aquelas pessoas, que elas desenvolvessem alguma relação de confiança comigo para que pudéssemos conversar de uma forma espontânea e pessoal. Com a transição para a ZDB tornou-se impossível encontrar esse tempo e esse espaço em pleno dia de concerto, no meio de soundchecks. Senti que deixou de existir esse envolvimento mais afectivo. Provavelmente, hoje seria diferente.

Quando recebeste o convite para a ZDB, como foi o processo inicial de programação?
O programador da altura, o Manuel Poças, pediu-me uma lista de 70 nomes para programar. E eu fiz essa lista. Muitos eram pessoas que eu já tinha entrevistado, outros nunca tinham sequer passado por Portugal. No meu primeiro dia na ZDB, no dia do 13.º aniversário, enviei e-mails a todos eles.

E funcionou? A tua primeira escolha foi um sim imediato?
Nesse primeiro mês, as minhas escolhas foram pouco arriscadas. Mas, à medida que o tempo ia avançando e ia conseguindo programar nomes dessa lista, por sorte ou sentido de oportunidade ou simplesmente trabalho, surgia uma conclusão natural de que, logo a seguir, só poderia ficar mais difícil.

Como é que determinavas o que programar? Qual era o teu critério?
Rapidamente, comecei a trabalhar de diversas formas. Havia os músicos que se encontravam em digressão e que, devido ao historial da ZDB, a contactavam para propor concertos; e havia os músicos que eu tentava aliciar a vir a Portugal, muitas vezes organizando concertos com outras estruturas no país. Logo num dos primeiros meses, fiz um concerto do Michael Gira, que na altura nem andava a tocar com os Swans e que tinha um estatuto muito particular, e eu tive a sorte de o conseguir fazer. No final desse ano, quase todos os nomes da lista já tinham tocado na ZDB e em simultâneo com a sensação de dever cumprido veio a certeza de que o ano seguinte seria um ano muito complicado.

O que é que apreendeste desse primeiro ano?
Basicamente percebi que tinha de fazer menos e melhor.

Do meu ponto de vista, enquanto público – e eu cheguei a Lisboa tardiamente, em 2005 -, parecia persistir a ideia de que havia um deserto em Lisboa pontuado apenas pela ZDB e grandes salas, existindo um fosso muito grande entre um concerto de pequena escala e um concerto que já teria lugar numa Aula Magna. Lembro-me de sentir que, se queria estar actualizada com a música que se fazia, tinha de passar pela ZDB e por lá viam-se sempre as mesmas caras em todas as sextas-feiras. Mas, logo depois de tu entrares na ZDB, senti que o paradigma se foi alterando, também fruto de outros promotores que mantinham a mesma atenção pela novidade.
A cidade e o país mudaram muitíssimo. Ainda em 2008, quando comecei a trabalhar na ZDB, lembro-me de poder trazer na mesma semana bandas como os Dirty Projectors, Scout Niblett, Boris e Health a Portugal por causa do Primavera Sound que acontecia aqui ao lado –  porque não existia essa estrutura por cá -, e agora isso seria impossível. O primeiro factor de mudança foi o surgimento de novas salas. Se te recordares, em 2005, ainda não existia Musicbox, Santiago Alquimista, Casa Independente, LxFactory, Teatro Maria Matos (como hoje é conhecido), Bacalhoeiro, Fábrica do Braço de Prata, Ferroviários e até mesmo o Lux só tinha concertos pontualmente. O que havia era um universo pontuado pelo Lounge, ZDB e logo de seguida salas como a Aula Magna. Até mesmo os festivais de Verão afirmavam-se a anos-luz daquilo que fazíamos. Mas a expansão da Internet, o desenvolvimento das viagens low cost e os media cada vez mais focados na programação que estruturas mais pequenas estavam a fazer acabaram por alargar esta realidade ao país inteiro. Parece-me que a ZDB teve alguma importância nesse processo de descentralização cultural, que mais não era do que um trabalho invisível porém indispensável para tornar viáveis alguns projectos. Começámos a trabalhar com estruturas independentes, como a Lovers & Lollypops ou a Amplificasom, mas também com a Casa da Música, o Centro Cultural Vila Flor ou o Theatro Circo, numa tendência que vimos posteriormente alastrar-se aos festivais de Verão, que integram agora nos seus alinhamentos concertos que a mim me parecem devedores deste universo. Para nós, sempre foi natural trabalhar com esses músicos. Actualmente, eles parecem ter um significado simbólico que essas estruturas maiores procuram para vender as suas marcas.

E tu consideras que esse salto que os músicos deram, impulsionado por ti e por outros como tu, comprova de alguma forma o teu trabalho? Ou, por outras palavras, quando é que consideras que cumpriste o teu papel?
Eu não consigo pensar dessa forma. Para mim, não se cumpre nenhum círculo quando eles atingem esse estatuto. Pelo contrário, a minha satisfação vem da ideia de poder continuar a trabalhar com esses artistas. Também foi isso que me motivou a desenvolver, por exemplo, as residências artísticas – um formato que me parecia mais difícil para estruturas maiores por diversos motivos -, que para mim eram óbvias consequências destas relações de âmbito quase pessoal que vou desenvolvendo com os artistas. No fundo, a minha única ambição é poder acompanhar o crescimento desses músicos e não ter de me separar deles.

E qual é o teu objectivo com as residências artísticas?
O primeiro motivo que me levou a iniciar as residências artísticas foi o exemplo próximo do trabalho que o Natxo Checa tem vindo a fazer com as artes visuais. Essa aproximação e acompanhamento da parte criativa pareciam-me preciosos e eu queria ter essa experiência para mim. Em paralelo, queria distanciar-me de alguma pressão que pode sempre surgir quando há uma maior concentração de estruturas e de salas com programação musical constante. Preferi concentrar-me em proporcionar contextos para a criação. Senti que, nesse processo, me poderia completar mais enquanto programador.

No meu entender, a tua forma de programar passa muito por aliciar os artistas com uma componente que não tem nada que ver com business. Aquilo que dizias orientar-te ao início com as entrevistas parece ter sido transposto para a tua metodologia de programação: tu procuras criar e manter relações de familiaridade com os artistas.
Sem dúvida. Acho que a grande maioria dos artistas sente-se mais confortável com essa abordagem. Permanece o respeito natural pelo trabalho que fazem, mas gostam de ser tratados como aquilo que são: pessoas normais. Parece-me que é uma sensação que surge naturalmente pela forma como recebemos os músicos na ZDB, que não deixa de ser uma estrutura familiar, eclética e que está habituada a produzir tudo o que faz do início ao fim.

Existe algum artista com quem nunca tivesses esperado trabalhar que te tenha procurado directamente para fazer um concerto nessas condições?
Há, claro. O Thurston Moore. Lembro-me perfeitamente de quando me deu o cartão dele, nos bastidores de um concerto de Sonic Youth no Coliseu, e me disse que queria trabalhar comigo. Penso que havia um certo histerismo entre as pessoas que ali estavam e ele estendeu a mão a quem tinha agido com mera naturalidade. Mas não é algo que se tenha passado unicamente com ele. Muitas vezes, sinto que é nestas atitudes e nesta forma de receber as pessoas que se contraria a ideia de que trabalhamos com áreas artísticas “difíceis”. Penso que é uma forma de tentar democratizar a ZDB.

A ZDB cumpre por estes dias 20 anos, sete dos quais contigo nos comandos da programação de música. Quais as tuas motivações para o futuro próximo?
O meu maior desejo é desenvolver as residências artísticas de uma forma mais sustentada, explorando novos modelos. Quero experimentar com artistas nacionais e internacionais, em residências dentro e fora do país, quer sejam de curta ou de longa duração. Infelizmente, estes projectos são muito difíceis de financiar e exigem-me que seja muito criativo para encontrar formas de os viabilizar. Além disto, queria poder continuar a acompanhar o crescimento dos artistas com quem tenho trabalhado, ao mesmo tempo que inicio novos processos com artistas emergentes. E isto só faz sentido para mim estabelecendo parcerias com outras estruturas desta cidade e do país que estejam interessadas no nosso perfil programático. Foi precisamente isso que procurei fazer com a programação deste 20.º aniversário da ZDB. 

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Má Fama

Galeria Zé dos Bois

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